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Suplementação de glutamina no tratamento da sepse

A sepse é uma das principais causas de internação ao redor do mundo e um dos responsáveis pela alta taxa de mortalidade observada em indivíduos internados em unidades de terapia intensiva.

 

Em quadros de infecção sistêmica, o aumento da taxa metabólica leva ao consumo excessivo e à consequente depleção da glutamina, aminoácido mais abundante em seres humanos. A queda na disponibilidade desse aminoácido compromete a resposta imune e afeta a funcionalidade de outros tecidos dependentes do seu aporte adequado para a manutenção do sistema antioxidante e do metabolismo energético.

Sendo um dos tecidos mais afetados em quadros de hipoglutaminemia, o músculo esquelético responde à sepse apresentando menor produção de glutamina e menor expressão de glutationa peroxidase, um potente agente antioxidante. Como resultado, as células musculares se tornam mais suscetíveis ao estresse oxidativo e aos danos por ele causados, fato que contribui para a perda da massa muscular e para a patogênese das disfunções observadas em pacientes doentes.

O recente trabalho do grupo de pesquisa brasileiro chefiado pelo professor Julio Tirapegui ressalta a efetividade da suplementação de glutamina como dipeptídeo (L-alanil-L-glutamina) ou na sua forma livre para a manutenção da glutaminemia e da homeostase muscular através da regulação da expressão de diversos genes, dentre os quais destaca-se o que codifica a enzima antioxidante glutationa peroxidase em ratos.

Esse estudo abre novas perspectivas para possíveis aplicações clínicas da glutamina em condições hipercatabólicas como a sepse, visando não apenas o suprimento adequado às células do sistema imune, mas a proteção de outros tecidos de grande relevância fisiológica e metabólica, conduzindo à uma reabilitação mais rápida e eficiente.

Para maiores informações, consulte o artigo na íntegra:

http://www.jnutbio.com/article/S0955-2863(13)00256-8/abstract


O Nutricionista Lucas Carminatti Pantaleão é pesquisador no Laboratório de Biologia Molecular do Instituto de Ciências Biomédicas da USP