BLOG SBAN: Alimente-se com ciência

Compostos fenólicos nos alimentos e proteção celular

Publicado em: 01/07/2020 Autor: Jorge Mancini Filho

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Photo by Manki Kim

No momento em que o mundo está enfrentando a pandemia do coronavírus, é importante olhar para as pesquisas realizadas que sugerem a utilização de formas alimentares que possam amenizar o quadro que está atualmente delineado nesta pandemia.

Nossas pesquisas in vitro e in vivo indicam que diferentes frutos e especialmente as especiarias, podem colaborar com o fortalecimento do organismo na prevenção de diversos tipos de infecções tanto virais como microbianas. As atividades antioxidantes e anti-inflamatórias; a capacidade de induzirem alterações nas enzimas antioxidantes, entre outras, se devem a presença de compostos fenólicos na composição desses alimentos.

A ação antioxidante atua na defesa contra processos oxidativos e degenerativos, levando ao aumento da resistência celular. Isto é devido a sua capacidade em impedir a formação dos radicais livres e o desencadeamento do processo oxidativo, reduzindo a reação de oxidação nociva para o organismo. Além disso, essas moléculas podem induzir a formação de proteínas envolvidas em mecanismos de defesa do organismo. 

 A ação anti-inflamatória se deve a capacidade em diminuir a formação de compostos relacionados com a inflamação.

Especiarias: as especiarias são usadas no mundo todo como temperos ou como isolados a partir de seus extratos. Esses extratos, hoje denominados “nutracêuticos”, incluem compostos como fenóis e polifenóis, vitaminas, ômega-3, fibras alimentares, ácido linoleico conjugado.

Os compostos fenólicos presentes nas especiarias se encontram representados por flavonoides e por ácidos fenólicos. O alecrim, canela, orégano, coentro, entre outros, tem sido relacionado a propriedades antimutagênica, antiviral, antibacteriana, anti-inflamatória e antidiabética.

No estudo dos compostos fenólicos, avaliamos o efeito sinérgico da associação de antioxidantes sintéticos e naturais contra a proliferação do vírus para influenza; o efeito antioxidante dos extratos da canela na inibição do vírus influenza em células específicas e o efeito dos extratos do alecrim sobre a inativação do DNA do vírus Herpes 1.

Assim, a utilização de chás de especiarias ou extratos de canela, alecrim, orégano e erva-doce associados poderá contribuir com o aumento da resistência do organismo, frente à infecção pelo novo coronavírus.

Texto editado do artigo original publicado no Jornal da USP no link: https://jornal.usp.br/artigos/compostos-fenolicos-presentes-nos-alimentos-e-a-protecao-celular/

*Jorge Mancini Filho é Professor Sênior da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, responsável pelo Laboratório de Lípides do Departamento de Alimentos e Nutrição Experimental da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo.

 

Como a alimentação pode ajudar no aumento de massa muscular

Publicado em: 23/10/2019 Autor: Erick P. de Oliveira

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O exercício de força, popularmente conhecido como musculação, é um dos principais tipos para promover ganho de massa muscular. E uma alimentação adequada pode potencializar seus efeitos. Entretanto, é importante ressaltar que o exercício deve ser muito bem executado para que a dieta de fato repercuta no aumento do volume dos músculos.

O principal nutriente que ajudará nesse processo é a proteína. Atualmente, indica-se o consumo de 1,2 a 2,2 gramas de proteína por quilo de peso corporal por dia. Uma pessoa que iniciou a musculação há pouco tempo pode ingerir uma quantidade próxima ao valor mínimo dessa recomendação. Já indivíduos que treinam há alguns meses devem ingerir entre 1,6 e 2,2 gramas por quilo de peso ao dia.

Para atingir a meta, boas fontes proteicas devem ser ingeridas ao longo do dia, como leites, carnes, ovos, soja, entre outros. Aliás, é totalmente possível alcançar a quantidade ideal por meio da dieta. Os suplementos proteicos podem ser utilizados apenas para complementar a proteína que estiver faltando na alimentação.

Mas, antes de usar um suplemento, é essencial realizar uma consulta com um nutricionista, pois esse profissional é capacitado para contabilizar a quantidade do nutriente já ingerida com a dieta. Só assim dá para saber se faz sentido recorrer a um suplemento – e qual a dose exata necessária.

Tem que comer proteína logo após o exercício?

É comum vermos algumas pessoas levando a sua proteína em pó nas academias para tomar após o exercício (desesperadamente). Mas será que isso é realmente fundamental?

Recentemente, nosso grupo de pesquisa publicou um estudo no qual avaliamos o efeito da ingestão proteica imediatamente depois do exercício no ganho de massa magra em mulheres na pós-menopausa. Uma parte delas consumiu 30 gramas do nutriente logo após o exercício, enquanto a outra parcela realizou o consumo aproximadamente três horas depois o término do treino.

Observamos, então, que o momento da ingestão de proteína não teve impacto no ganho de massa magra promovido pela musculação. Outros estudos mostraram o mesmo resultado em outras populações, como indivíduos jovens. Portanto, é possível ir embora da academia, tomar um banho e almoçar ou jantar tranquilamente – com uma fonte de proteína no prato.

Suplemento proteico: em qual apostar?

Os estudos têm demonstrado que, se o consumo diário de proteínas está adequado, a fonte do nutriente não parece influenciar no ganho de massa muscular. Por exemplo: quando se comparou a ingestão de whey (a proteína do soro do leite) com a da soja após o exercício, notou-se que o ganho de massa muscular tende a ser o mesmo.

Portanto, o suplemento deve ser escolhido pelo custo/benefício: isso inclui uma relação entre preço, quantidade de proteína no produto e preferência pelo sabor. Reforço: é crucial que essa escolha seja realizada junto a um nutricionista.

Produtos sem respaldo científico

É comum o consumo de outros tipos de suplementos (não só os de proteína) por praticantes de musculação. Entretanto, a ciência tem revelado que a maioria não favorece o ganho de massa muscular.

Um dos itens mais consumidos é o BCAA (sigla em inglês de “aminoácidos de cadeia ramificada”), que contém leucina, isoleucina e valina. Estudos (de qualidade) não apresentaram, até então, efeito dos BCAAs no ganho de massa muscular.

Outra opção muito popular entre praticantes de musculação é a glutamina, frequentemente recomendada pelos vendedores das lojas de suplementos. No momento da venda, alega-se que ela é capaz de promover melhor recuperação muscular e benefícios para a imunidade. Entretanto, os estudos bem conduzidos não associam a substância à hipertrofia muscular, à recuperação dos músculos nem à melhora do sistema imune em praticantes de musculação.

Portanto, não rasgue seu dinheiro com BCAA e glutamina. A verdade é que diversos outros suplementos poderiam ser citados devido à ausência de efeitos, mas esse tópico ficaria extremamente extenso. Mais um motivo, portanto, para consultar um nutricionista antes de comprar esses produtos.

Preocupe-se em consumir quantidades adequadas de proteína ao longo do dia. Isso, sim, ajudará de verdade no ganho de massa muscular.

*Erick P. de Oliveira é nutricionista, professor adjunto da Universidade Federal de Uberlândia, em Minas Gerais, e membro da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição.

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